quarta-feira, 7 de outubro de 2015

QUEBRANDO TABU







Existe uma "cobrança" social para que nós mulheres estejamos sempre bonitas, arrumadas, maquiadas, magras, brancas, corpos malhados.
Como você pensa e se percebe dentro deste padrão?
Concorda que a mulher deve se submeter a um estereótipo (modelo) ou pode existir uma diversidade de beleza, respeitando o sujeito?

terça-feira, 29 de setembro de 2015

TEXTO REVISTA FÓRUM


É possível que você já tenha ouvido alguma mulher chamando outras mulheres de “putas”, “vadias”, “periguetes” e outros termos com esse teor – se é que não foi você mesma a mulher a proferir tais xingamentos. Na nossa cultura, parece ser muito comum a competitividade e autoafirmação feminina por meio da não-sexualidade, quando o fator sexual é considerado algo ruim e reprovável. Por isso, as mulheres que parecem ser muito sexuais – ou que são difamadas como tal – recebem hostilidades diversas.
Muitas mulheres que chamam outras de “putas” estão tentando demarcar um território, uma diferença entre elas e as outras. Para elas, é como se o fato das outras serem “vulgares” automaticamente assegurasse a própria reputação. O imenso equívoco está aí, pois chamar outra mulher de puta não te torna imune ao machismo; você não fica vacinada contra esses mesmos xingamentos. De fato, ser vista e ofendida como uma “vadia” é um dos primeiros atos de agressão proferidos contra todas as mulheres.
Isso acontece porque o machismo é um sistema de desvalorização e violência contra todas as mulheres, não apenas contra algumas. O filtro da misoginia é muito evidente: comportamentos considerados “masculinos”, independência no modo de ser e autonomia sexual são punidos de diversas formas, das verbais até as físicas. Portanto, diminuir o caráter ou o valor de uma mulher porque ela está em busca de sexo, porque usa roupas curtas e justas ou por qualquer outro motivo que use seu ímpeto sexual como negativação se trata de machismo – e quanto mais esse machismo é reforçado, mais todas as mulheres sofrem.
Muito pouco é necessário para ser chamada de “puta”. É verdade que mulheres que usam roupas curtas, dançam rebolando até o chão e fazem sexo com diversas pessoas são constantes vítimas do machismo, mas isso não significa que as mulheres heterossexuais, casadas, donas de casa ou que se sentem mais “intelectuais” do que as outras não estejam na mira desses julgamentos. Pelo contrário: quando algum homem é contrariado por qualquer razão, um dos primeiros xingamentos proferido contra as mulheres são de cunho sexual. Não importa se você usa uma saia curta ou longa, com ou sem calcinha, ou se frequenta um show por causa das bandas e não dos homens integrantes das bandas – se você não se comportar de forma que agrade os homens, você será chamada de “vadia”, “quenga”, “biscate”, “puta”, “vaca”, “cadela” e “periguete”.
Também é necessário compreender que, mesmo que uma mulher seja de fato uma “puta” – ou prostituta -, isso de nenhuma forma a torna inferior, nem merecedora de humilhações e violências. O imenso preconceito nutrido contra prostitutas também é mais um reflexo desse quadro de misoginia. Ser prostituta não torna nenhuma mulher menos humana, menos inteligente ou menos respeitável.
Portanto, é preocupante o quanto as mulheres ainda competem umas com as outras em busca de um respeito que jamais lhes será dado de bom grado. Entender que o machismo nunca permitirá respeito às mulheres é de fundamental importância, pois somente assim poderemos lutar por nossos direitos e pelo respeito que nos é devido, independente de quem somos. Enquanto mulheres, precisamos nos unir e compreender que se uma fica para trás, todas continuam para trás; uma mulher que é ofendida e violentada por motivações sexistas não é um caso isolado, mas uma evidência de que todas estamos vulneráveis.
Pedir que todas as mulheres sejam amigas, companheiras e que não briguem por motivos diversos é ingenuidade demais. Mulheres ainda serão muitas coisas para além de serem mulheres e vão continuar disputando empregos, credibilidade e oportunidades. No entanto, não podemos nos deixar cegar pela dominação do machismo; termos como “puta” e “vadia” não são argumentos para conquistar algum cargo ou obter respeito. Ao compreendermos essa realidade, nós garantimos o avanço social e a luta contra todas as manifestações da misoginia – desde a violência simbólica ou verbal até os feminicídios.
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QUEBRANDO TABU


NOSSAS MENINAS BAIANAS



É possível relacionar a trajetória de mulheres baianas ao sexismo e ao racismo. A sociedade baiana, que em sua maioria, é negra e sempre tendeu a afirmar o estereótipo europeu como ideal de beleza. Entretanto, a mulher era violentada quanto à sua sexualidade, quanto às suas características, quanto às diferenças. Um grande impulsionador dessa violência é o capitalismo, que sobrevive das desigualdades entre homens e mulheres, brancos e negros e demais meios discriminatórios.

Além de ser mulher, por negra são tratadas como inferiores. Apesar dos avanços existentes, a mulher baiana ainda sofre mais que as outras, pois são discriminadas por homens e também por outras mulheres. Cresceram e foram educadas na ótica da inferioridade explicitada pela mídia sempre como um ser incapaz de exercer outros papeis que não sejam de trabalhadores braçais ou domésticos. Além disso, não são conscientizadas que por trás da cor e do cabelo, transborda cultura, musicalidade, estilo, ousadia e sensualidade, esta última sem ser associada apenas à vulgaridade.

Apesar da expansão feminina e seu empoderamento social, o machismo ainda é muito marcante. A mulher é violentada verbalmente todos os dias nas ruas, com “cantadas” desrespeitosas que tendem a ser vistas como normais ou como “coisas de homem”. A mulher não tem o direito de ir e vir, de vestir, de se expressar sem ser estereotipada e quando se trata de uma mulher negra, quase sempre são estereotipadas de forma negativa ou pejorativa. A própria família muitas vezes as condena quando são estupradas julgando-as como vulgar, ou seja, o preconceito ainda atinge de muitas formas a sociedade baiana.

RACISMO X ESTERIOTIPOS




QUEBRANDO TABU