O machismo, racismo e pobreza são fatos sociais.
Segundo Durkheim (1972), fato social consiste em maneiras de agir, de pensar e de sentir que exercem determinada força sobre os indivíduos, obrigando-os a se adaptar às regras da sociedade onde vivem, tendo o mesmo que passar por três aspectos para ser considerado fato social: característica relacionada com o poder, o indivíduo nasce tendo que
se adaptar as regras sociais, os fatos são coletivos.
Ocorre que os três fatos sociais citados estão entrelaçados com a cultura, ou seja, eles constituem a cultura que é composta por moral, valores e comportamentos de um grupo ou sociedade. Sabemos sob o processo da construção cultural de um povo perpassa pela troca de informações entre grupos
sociais seja através do comercio, guerra ou exploração do homem no qual surgem conflitos por tentarem transferir a lógica (crenças) de um sistema para outros, sendo assim, Laraia (2001) traz que o homem vê o mundo através da
“lente” de sua cultura o que gera etnocentrismo e por ser comum a crença do povo eleito (o que administra a sociedade) prevalecer sobre os demais.
Nesse contexto percebemos que os grupos sociais que possuem maior força e estratégia, poder, de dominar outros povos os subjugam ao seu processo lógico de valores, morais e comportamentais o que justificaria intolerância e atos de violência para o grupo subjugado.
No momento que se constrói um processo cultural, cria-se uma identidade para a sociedade e todos e todas que não compõe ou adequam a essa identidade é marginalizado, ou seja, se nós afirmamos uma identidade ao mesmo tempo falamos que quem não a compõe é diferente. Pois se a identidade é ser mulher branca, magra e ter etiqueta as demais mulheres que não se “encaixam” neste estereótipo é diferente e por sua vez marginalizado.
“Não se trata, entretanto, apenas do fato de que a definição da identidade e da diferença seja objeto de disputa entre grupos sociais as simetricamente situados relativamente ao poder. Na disputa pela identidade está envolvida uma disputa mais ampla por outros recursos simbólicos e materiais da
sociedade. A afirmação da identidade e a enunciação da diferença traduzem o desejo dos diferentes grupos sociais, assimetricamente situados, de garantir o acesso privilegiado aos bens sociais. A identidade e a diferença estão, pois, em estreita conexão com relações de poder. O poder de definir a identidade e de marcar a diferença não pode ser separado das relações mais amplas de poder. A identidade e a diferença não são, nunca, inocentes.” (SILVA, 2000)
Logo, podemos compreender que o processo da identidade compõe a cultura de uma sociedade que por sua vez também poderá construir fatos sociais, gerando violência e segregação dentro de uma mesma sociedade. Com isso verificamos que dentro do contexto social dos anos 1915, ano este que
nasce Billie, existe um tensionamento racial forte que compõe também as filas da pobreza dentro de uma sociedade historicamente patriarcal.

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